O ano era 1975, naquela época gigantes caminhavam sobre a Terra, ou assim parecia.. O Queen já havia lançado três trabalhos convincentes (“Queen”, “Queen II” e “Sheer Heart Attack”), que não só mostravam todo o enorme talento musical individual de seus integrantes, o inesquecível Freddie Mercury (vocal), o mestre Brian May (guitarra) e os eficientes John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria), como também uma forte personalidade musical, um estilo muito peculiar de se fazer música. E essa peculiaridade teve o seu ápice, justamente em “A Night At The Opera”.Este disco exala grandiosidade por todos os poros ao mesmo tempo em que demonstra inteligência nos detalhes, em soluções como um timbre diferente aqui, um recurso de estúdio inusitado ali ou uma linha melódica bem trabalhada acolá. Gravado em sete estúdios por três meses, foi o disco mais caro já produzido até então. Não é à toa que vendeu mais de 10 milhões de cópias no mundo todo e sempre aparece nas listas de melhores de todos os tempos.
Trazendo, mais do que qualquer trabalho anterior da banda, a interessante fórmula sonora que mesclava Rock com Ópera, “A Night At The Opera” foi, é, e sempre será um álbum histórico, uma verdadeira ebulição criativa. Produzido com maestria, o trabalho traz os músicos em plena forma: Freddie Mercury mostra todo o seu talento em impecáveis interpretações, onde traz lirismo a sua pegada Rock, Brian May executa alguns de seus “riffs”, temas e solos inesquecíveis, com seu estilo sempre instantaneamente reconhecível e John Deacon e Roger Taylor demonstram precisão e entrosamento perfeito.
O disco começa com "Death on Two Legs" com guitarras agudas e sons de trilha de filme B de ficção científica. A partir daí passamos por country ("'39"), som de musical dos anos 30 ("Seaside Rendevouz"), pop doce ("You're My Fest Friend"), hard rock ("I'm In Love With My Car"), rock progressivo ("The Prophet Song"), glam rock/heavy metal ("Sweet Lady").
“Love Of My Life”, cuja versão ao vivo chegaria ao primeiro lugar no Brasil (um dos melhores mercados e públicos do Queen) e digna de figurar na coletânea Greatest Hits.
Imagine um disco excelente que é fechado, simplesmente, pela canção eleita na Inglaterra como a melhor do século. “Bohemian Rhapsody” é uma daquelas peças que não merecem menos que o título de obra-prima. Falar dela é cair no lugar comum e em adjetivos que não conseguem expressar o impacto que causou no mercado fonográfico mundial à época de seu lançamento.
Iniciando apenas com vocais e piano ao melhor estilo do grupo, abusando do estéreo em toda a faixa, “Bohemian Rhapsody” tem uma letra que se propõe a contar uma história trágica. Todas – e são todas mesmo – as características que fizeram do Queen um dos grandes nomes do rock estão lá, da suavidade de versos sussurrados por Freddie Mercury como “Nothing really matters, nothing really matters to me, anyway the wind blows...” aos gritos de “So you think you can stone and spit my eyes”, o excelente trabalho de bateria onde os pratos se destacam em climas mais densos de Roger Taylor, o baixo Fender Precision sem firulas e exato de John Deacon e, acima de tudo, com os vocais de Mercury, a guitarra de Brian May.
O final, na verdade, do disco é uma vinheta instrumental com toda a pompa e circunstância protocolares, onde o Queen dá sua versão do hino britânico, “God Save The Queen”. Tal qual uma noite de gala no Royal Albert Hall.
>Duas músicas que salvam a hora: "Love Of My Life" e "Bohemian Rhapsody"
>Para escutar: http://www.mediafire.com/?5jno9bmxz2k
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