24.03.08 “Lavô Tá Novo” foi ansiosamente aguardado pelo público e pela crítica, devido ao enorme sucesso do primeiro cd da banda. Afinal, havia o receio de que o segundo CD não correspondesse ao primeiro, fosse uma decepção, como ocorre com muitas bandas. Mas o álbum não decepcionou ninguém. Os Raimundos continuaram fazendo som pesado, irreverente, com letras escatológicas e interessantes, sem se preocupar com a mídia. "Tora Tora" e "Eu Quero Ver O Oco" abrem o disco com grande peso. "Opa! Peraí Caceta!", muito parecida com o som do Ultrage A Rigor, com uso de metais, é uma das melhores do disco, surpreendente. As demais são excelentes, com muito hardcore. Assim como começa, o disco termina com 2 "porradas": "Cabeça De Bode" e "Herbocinética". Só fui perceber como a banda tinha ficado grande quando em um show dos Paralamas, o Herbert começou a tirar de sua guitarra riffs de "Eu Quero Ver O Oco", dizendo que era de uma banda que estava fazendo alguma coisa diferente no cenário musical do Brasil, que moral!
>Duas músicas que salvam a hora: "Opa! Peraí, Caceta" e "Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)"
21.03.08 "I want to be in a band when I get to heaven / anyone can play guitar and they won't be a nothing any more". Quando Thom Yorke escreveu esses versos em "Anyone Can Play Guitar", de Pablo Honey, inaugurando a discografia do Radiohead, não sabia que se tornaria líder de uma das mais celebradas, cultuadas e mal compreendidas bandas da virada do século. O menino franzino, que se juntou a mais quatro amigos - Ed O'Brien (guitarra), John Greenwood (guitarra e teclados), Colin Greenwood (baixo) e Phil Selway (bateria) - em sua cidade natal, Oxford, para tocar rock no começo da década de 90, se tornou um dos melhores letristas de nosso tempo e o Radiohead um dos melhores grupos da atualidade. Mantiveram-se afastados dos olhos e ouvidos curiosos, trabalhando nas canções que entrariam em seu sexto álbum de originais. Em julho de 2002 testaram o material em uma dúzia de shows em Portugal e Espanha. E olhar para Thom Yorke em cima do palco é ter a certeza de que o menino franzino que sonhava estar em uma banda para deixar de ser um "nada", conseguiu o que queria. Mesmo sem conhecer 50% das músicas apresentadas durante o show (metade do repertório eram as tais músicas inéditas, que estavam sendo "testadas"), o público se entregou totalmente ao artista, como se estivesse diante de um deus, que com sua voz, suas palavras e, sobretudo, com belíssimas músicas, dava aos presentes por instantes a tal sensação de "pertencimento" que não encontram na realidade. Tal como dois e dois são... cinco, rock, eletrônica, jazz etc convivem harmoniosamente neste disco, sem, necessariamente, se fundirem ou se sobreporem na mesma canção. Yorke compôs melodias tão boas quanto as de “The Bends” que ora são acompanhadas apenas guitarras, baixo e bateria, com arranjos de rock - como já não faziam desde “Ok Computer” -, ora por batidas eletrônicas quase dançantes - como as de “Kid A” - ou pianos, capazes tanto de suavizar quanto de criar uma atmosfera densa e sombria - tal em “Amnesiac”. É como se estivéssemos diante de uma retrospectiva, só que com fatos novos. Dessa viagem ao passado resultou em “Hail To The Thief”, um disco que pode trazer de volta algumas ovelhas desgarradas que se perderam com “Kid A”, com riffs cativantes de guitarras. Um disco que entusiasma fãs fiéis por verem a banda repensar sua sonoridade mais uma vez, indo buscar, desta vez, em seus próprios discos matéria-prima para experimentações. Um disco que mostra que o menino franzino e inadequado aos padrões, o “freak” da turma de colégio, não é mais um "Zé Ninguém".
>Duas músicas que salvam a hora: "Go To Sleep (Little Man Being Erased)" e "There There (The Boney King of Nowhere)"
19.03.08 A princípio, “Renegades” fazia parte de um projeto do grupo de produzir um disco duplo, com um CD ao vivo e um só de covers. Mas o repentino anúncio da saída do vocalista mexicano Zack De La Rocha mudou os planos dos integrantes do Rage. Zack declarou à imprensa que “o processo de tomar decisões da banda faliu” e, por isso, abandonaria o grupo. Para não deixar os companheiros na mão, o vocalista permaneceu somente até a conclusão do CD de covers. “Renegades” mostra a banda furiosa como no início de carreira. O mais interessante é que seus covers ficaram com a cara da banda, não dá nem para perceber direito o original na maioria das faixas. O resultado foi um disco mais que agradável. "Kick Out The Jams" é uma das melhores, a regravação do MC5, banda ícone e precurssora do movimento punk, ficou muito acima da média, Zack manda muito bem nos vocais e Tom Morello mostra sua qualidade técnica em tirar sons exóticos da sua guitarra. Outro cover excelente é "Down On The Street", do Stooges - Iggy Pop deve ter ficado satisfeito com esta versão moderna para uma música de mais de 30 anos. "Renegades Of Funk" é uma das mais melhores do disco, uma versão impagável do Africa Bambaataa: vocal em ritmo funk e uma cozinha afiada não ficam devendo nada à faixa original. A versão do Cypress Hill, "How I Could Just Kill A Man", talvez seja a melhor do disco: traz um RATM mais adaptado à versão original, mas na hora em que tem que quebrar tudo, a banda não perde tempo e manda ver. Mas a mais surpreendente faixa do disco é "Maggie's Farm" de Bob Dylan. Os caras conseguiram enquadrar o velho e bom cantor de folk no seu estilo bem pesado e com suingue de primeiríssma. Seguindo a ideologia da banda, todas as músicas escolhidas para o repertório tratam de temas políticos, como “Street Fighting Man”, dos Stones, e “The Ghost of Tom Joad”, de Bruce Springsteen. O grupo reuniu-se após sete anos de separação em 2007, o grupo se apresentou em alguns outros grandes festivais estadunidenses. Boatos da imprensa no começo do ano davam como certo um show do grupo no Brasil durante o segundo semestre.
>Duas músicas que salvam a hora: "Renegades Of Funk" e "Street Fighting Man"
18.03.08 Carregando muita irreverência nas letras, a banda apresentou uma mistura de hardcore e forró que acabou os consagrando no cenário da música nacional. A primeira música que escutei da banda foi “Selim” na época que a 89 ainda era uma rádio de rock, e depois “Nega Jurema” na época que a MTV passava clipes. “Selim” foi decorada e decantada por todos, música oficial nos churrascos dos adolescentes. O álbum oferecia algo que nunca tínhamos visto nas bandas da época, letras sacanas, politicamente incorretas, ritmos misturados que ganhavam uma identidade nova. Lembro como ainda era difícil descobrir mais sobre uma banda underground ainda sem a internet nas mãos; recorria a revistas, fitas K-7 e gravações via rádio. Somente depois que eles conseguiram o contrato com a Banguela Records que uma divulgação maior. Sua formação clássica: Rodolfo nos vocais, Digão nas guitarrras, Canisso no baixo e Fred na bateria rendeu um clássico dos anos 90.
>Duas músicas que salvam a hora: "Puteiro em João Pessoa" e "Selim"
14.03.08 Contexto: em 1988 a Inglaterra viveu um "segundo verão do amor". A postura paz e amor foi substituída pela futilidade inconseqüente das boates de Manchester. Mas o ponto crucial da mística ao redor desta cena era uma nova droga, o MDMA, uma pastilha de anfentamina anteriormente usada como afrodisíaco. Usando uma música do New Order para ser aceito pela massa sem o tabu da sigla médica, o ecstasy mais tarde ganharia sua própria sigla urbana - um simples E maiúsculo, código para as incursões anfentaminadélicas que a droga proporcionava. O Happy Mondays era uma espécie de elite bastarda desta cultura. Embora fizessem parte dos personagens mais típicos e conhecidos da noite, eles eram briguentos e barulhentos, se embebedavam à medida que se drogavam, transavam nos banheiros e dançavam até cair. Misto de hooligans com b-boys, eles tinham até uniforme: tênis vagabundo, camisetas listradas na horizontal, franjas compridas e calças largas, baggy. Quando Tony Wilson, dono da Factory, descobriu que aqueles lunáticos tinham uma banda, não titubeou em contratá-los e fazer de tudo para que se tornassem uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Ou que ao menos fizessem o mesmo estrago de uma dessas. O hedonismo setentista desbravado pelo Happy Mondays em seu principal álbum era o mesmo que originaria o Primal Scream, as raves campestres, Trainspotting, Boogie Nights e a redescoberta do funk e da discoteca. Mas eles não eram os únicos na cena. Da mesma Manchester sairiam os Stone Roses, os Inspiral Carperts e os Charlatans. Nascia o que seria chamado de “Madchester”, embora apenas os Mondays davam à essa alcunha a cota de loucura para poder ser chamada de "mad". Para o terceiro disco do grupo, os produtores exatos - revelações das incipientes raves urbanas, os DJs Paul Oakenfolds e Steve Osborne encararam os Mondays de igual pra igual. Encharcados de drogas e com sexo saindo pelo ladrão, produtores e banda se enfiaram num projeto pessoal que mudariam suas vidas. Esse álbum rompeu várias barreiras entre rock e dance music. Abre com "Kinky Afro", que tem como "base" a música “Lady Marmalade” (aquela do filme Moulin Rouge), do grupo La Belle. No mesmo esquema de apropriação, transformaram a música "He's Gonna Step on You Again", de John Kongos, em "Step On". Em "God's Cop", a segunda faixa, o vocalista Shaun Ryder pede a Deus que faça chover sobre ele pastilhas de ecstasy. Musicalmente, o disco obedece à mesma infalível fórmula: guitarras psicodélicas como se fossem tocadas pelo Velvet Underground (ou pelo Jesus & Mary Chain), quilos de teclados legais usados com bom gosto (Hammond, piano, Fender Rhodes, tudo com um pé no soul), um tremendo groove de baixo (geralmente recauchutado pelo estúdio), uma bateria firme e fixa (que também recebia tratamento mecânico pelos dois produtores) e eventuais backing vocals e efeitos. As técnicas de produção seguiam tendências vindas de diferentes fontes: do dub jamaicano, dos DJs nova-iorquinos e de Detroit, das novas possibilidades do sampler (recém-lançado então) e da Stax. O caldeirão de suíngue dos Happy Mondays borbulha na temperatura certa em seu disco. Poucos poderiam prever que o futuro pertenceria ao universo traçado pelos Happy Mondays em “Pills’n’Thrills and Bellyaches”. Talvez apenas eles mesmos soubessem.
>Duas músicas que salvam a hora: "Kinky Afro" e "Bob's Yer Uncle"
Abril de 1997. O mundo como conhecemos ainda não existia. Era outro, com uma diferente cadência, os limites ainda intactos e uma leve névoa de mesmice tornando difícil enxergar o que era mesmo bom ou ruim. No ar sentia-se que alguma coisa estava sendo tramada por baixo dos panos. Tudo ali, a dois palmos dos nossos narizes. O primeiro dia do mês seguinte comprovaria essa estranha sensação. Londres certamente acordou chuvosa naquele dia. Não apenas porque o mais normal na capital inglesa seja mesmo chover, mas para entrar no clima do que apareceria logo a seguir. Uma das bandas mais conhecidas do britpop na época, o Radiohead, lançaria naquele dia um disco que a colocaria muito acima do britpop. Acima mesmo de outros artistas da época. Ouvir “OK Computer” com atenção é sempre uma experiência interessante, pela quantidade de camadas sonoras e literárias sobrepostas em todas as músicas. Cada nota, ruído ou pausa está lá por uma razão, e parece impossível imaginá-los amarrados de forma diferente. Ambos retratam angústia, depressão e inquietude de um ser humano diante do mundo que o cerca. O álbum retrata o ódio de vários personagens diante do mundo de final de Século, em que o maquinário corporativo e comercial soterra a individualidade, forçando-nos a nos enquadrar num comportamento robótico, insípido e profissional. Munindo-se de milhares de aparatos que seriam supostamente necessários para o viver corretamente, o homem se enclausura de tal forma que acaba por não reconhecer a si mesmo e aos que o rodeiam. Na perspectiva de “OK Computer” a sociedade está doente, sofrendo do mal da não convivência e da rendição às máquinas em detrimento dos sentimentos. Uma sociedade que não comunga entre si, já não poderia nem mesmo ser chamada de sociedade. Começando por "Airbag", com seu andamento paranóico, baixo entrecortado, efeitos eletrônicos esquisitos, e que possui uma letra estranha em que Thom Yorke fala de uma de suas fixações (ligada diretamente com aquela do dia-a-dia do homem moderno): acidentes de carro. "In a fast german car, I'm amazed that I survived, an airbag saved my life", canta ele no final da música. Não é a primeira música do Radiohead que usa esse tema. Doçura e estranheza se misturam com mais potência na próxima faixa, a histórica “Paranoid Android” é inteira uma trilha-sonora para os sonhos que atormentam. Nenhuma canção consegue ser ao mesmo tempo sutil e nervosa como esta. Os efeitos continuam com toda a força. Fracionadas em diversas magníficas canções e unidas ao final em uma só, “Paranoid Android” é a mais fácil tradução do próprio "Ok Computer". "Subterranean Homesick Alien" é musicalmente uma das faixas mais interessantes do disco. Ao longo dela, guitarras alteradas por vários efeitos denotam vozes alienígenas conversando entre si, uma ilustração lúdica do sentido real do "alien" na música: um homem totalmente deslocado do ambiente que pode chamar de "casa". Provavelmente uma alusão explícita à canção de Bob Dylan "Subterranean Homesick Blues", que diz: "Jhonny's in the basement mixing up the medicine, I'm on the pavement thinking about the government". Ao seu fim, inicia-se a mais desesperançosa música de que se tem notícia. “Exit Music (for a film)” dói. Na alma, nos ossos, nos olhos vermelhos, enquanto a letra implora, "Breathe, keep breathing". Seu final apoteótico assusta. Objetos cortantes devem ficar longe. Após atingir o fundo, a montanha-russa de sentimentos sobe uma vez mais com “Let Down”. Emocionante, crescente, harmoniosa, ela revela um lado mais positivo do disco. “Karma Police” é um clássico. O anormal deve ser detido, já que deixa as coisas fora da ordem. A base do piano dá a cadência necessária para o desespero final de Yorke ao admitir que apesar de todos os seus esforços, não consegue encontrar o encaixe para passar no teste de normalidade. Ao final de "Karma Police", a sirene sobrenatural distorcida pelo efeito Doppler exagerado dá lugar a "Fitter Happier", trazendo a voz inexpressiva e monotônica sutilmente introduzida ao fundo do refrão de "Paranoid Android" (ouça novamente a faixa 2: "What's that? [I may be paranoid, but not an android]"). As promessas introspectivas de cuidar melhor de si próprio, mas obviamente nunca cumpridas, entrecortada sublinarmente com ruídos e música de piano, é como se víssemos alguém sendo claramente hipnotizado, a ponto de confundir as promessas metálicas com as suas próprias. "Elecioneering" é uma canção que discorre sobre o vai e vem da política, e do poder da mídia, que nada mais é que um meio para divulgação da linguagem. Repare no clima festivo da melodia, única do disco com essa característica. Uma crítica à sociedade da época que continua valendo, travestida em um empolgante rock de guitarras rasgadas. É certamente o lado mais alto-astral do grupo neste lançamento de 97. Tudo para preceder a congelante “Climbing Up the Walls”, de refrão doce, mas que parece se perder em sua parte final entre distorções e leves efeitos eletrônicos. “No Surprises” é minimalista ao máximo. Contradição? Possivelmente, a música mais triste do álbum, o principal instrumento é a voz de Thom Yorke e um clima quase infantil na junção dos demais instrumentos. A história de como uma vida dentro dos padrões pode acabar mal. Acomodar-se afinal de contas pra quê? As duas últimas faixas de "Ok Computer" também são capazes da difícil tarefa de traduzir todo um álbum. As músicas “Lucky” e “The Tourist” são uma colagem de momentos de catarse e de sossego aparente, que se alternam quando bem entendem. Para o fim do disco, nada mais do que um barulho que vai sumindo, sumindo, sumindo. O Radiohead abusou da liberdade para criar uma obra-prima. “OK Computer” é isso. Indispensável. Tal qual a verdade.
>Duas músicas que salvam a hora: "Paranoid Android" e "Karma Police"
11.03.2008 O ano era 1975, naquela época gigantes caminhavam sobre a Terra, ou assim parecia.. O Queen já havia lançado três trabalhos convincentes (“Queen”, “Queen II” e “Sheer Heart Attack”), que não só mostravam todo o enorme talento musical individual de seus integrantes, o inesquecível Freddie Mercury (vocal), o mestre Brian May (guitarra) e os eficientes John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria), como também uma forte personalidade musical, um estilo muito peculiar de se fazer música. E essa peculiaridade teve o seu ápice, justamente em “A Night At The Opera”. Este disco exala grandiosidade por todos os poros ao mesmo tempo em que demonstra inteligência nos detalhes, em soluções como um timbre diferente aqui, um recurso de estúdio inusitado ali ou uma linha melódica bem trabalhada acolá. Gravado em sete estúdios por três meses, foi o disco mais caro já produzido até então. Não é à toa que vendeu mais de 10 milhões de cópias no mundo todo e sempre aparece nas listas de melhores de todos os tempos. Trazendo, mais do que qualquer trabalho anterior da banda, a interessante fórmula sonora que mesclava Rock com Ópera, “A Night At The Opera” foi, é, e sempre será um álbum histórico, uma verdadeira ebulição criativa. Produzido com maestria, o trabalho traz os músicos em plena forma: Freddie Mercury mostra todo o seu talento em impecáveis interpretações, onde traz lirismo a sua pegada Rock, Brian May executa alguns de seus “riffs”, temas e solos inesquecíveis, com seu estilo sempre instantaneamente reconhecível e John Deacon e Roger Taylor demonstram precisão e entrosamento perfeito. O disco começa com "Death on Two Legs" com guitarras agudas e sons de trilha de filme B de ficção científica. A partir daí passamos por country ("'39"), som de musical dos anos 30 ("Seaside Rendevouz"), pop doce ("You're My Fest Friend"), hard rock ("I'm In Love With My Car"), rock progressivo ("The Prophet Song"), glam rock/heavy metal ("Sweet Lady"). “Love Of My Life”, cuja versão ao vivo chegaria ao primeiro lugar no Brasil (um dos melhores mercados e públicos do Queen) e digna de figurar na coletânea Greatest Hits. Imagine um disco excelente que é fechado, simplesmente, pela canção eleita na Inglaterra como a melhor do século. “Bohemian Rhapsody” é uma daquelas peças que não merecem menos que o título de obra-prima. Falar dela é cair no lugar comum e em adjetivos que não conseguem expressar o impacto que causou no mercado fonográfico mundial à época de seu lançamento. Iniciando apenas com vocais e piano ao melhor estilo do grupo, abusando do estéreo em toda a faixa, “Bohemian Rhapsody” tem uma letra que se propõe a contar uma história trágica. Todas – e são todas mesmo – as características que fizeram do Queen um dos grandes nomes do rock estão lá, da suavidade de versos sussurrados por Freddie Mercury como “Nothing really matters, nothing really matters to me, anyway the wind blows...” aos gritos de “So you think you can stone and spit my eyes”, o excelente trabalho de bateria onde os pratos se destacam em climas mais densos de Roger Taylor, o baixo Fender Precision sem firulas e exato de John Deacon e, acima de tudo, com os vocais de Mercury, a guitarra de Brian May. O final, na verdade, do disco é uma vinheta instrumental com toda a pompa e circunstância protocolares, onde o Queen dá sua versão do hino britânico, “God Save The Queen”. Tal qual uma noite de gala no Royal Albert Hall.
>Duas músicas que salvam a hora: "Love Of My Life" e "Bohemian Rhapsody"