domingo, 27 de abril de 2008

Radiohead - "Hail to the Thief" (2003)

21.03.08
"I want to be in a band when I get to heaven / anyone can play guitar and they won't be a nothing any more". Quando Thom Yorke escreveu esses versos em "Anyone Can Play Guitar", de Pablo Honey, inaugurando a discografia do Radiohead, não sabia que se tornaria líder de uma das mais celebradas, cultuadas e mal compreendidas bandas da virada do século. O menino franzino, que se juntou a mais quatro amigos - Ed O'Brien (guitarra), John Greenwood (guitarra e teclados), Colin Greenwood (baixo) e Phil Selway (bateria) - em sua cidade natal, Oxford, para tocar rock no começo da década de 90, se tornou um dos melhores letristas de nosso tempo e o Radiohead um dos melhores grupos da atualidade.
Mantiveram-se afastados dos olhos e ouvidos curiosos, trabalhando nas canções que entrariam em seu sexto álbum de originais. Em julho de 2002 testaram o material em uma dúzia de shows em Portugal e Espanha. E olhar para Thom Yorke em cima do palco é ter a certeza de que o menino franzino que sonhava estar em uma banda para deixar de ser um "nada", conseguiu o que queria. Mesmo sem conhecer 50% das músicas apresentadas durante o show (metade do repertório eram as tais músicas inéditas, que estavam sendo "testadas"), o público se entregou totalmente ao artista, como se estivesse diante de um deus, que com sua voz, suas palavras e, sobretudo, com belíssimas músicas, dava aos presentes por instantes a tal sensação de "pertencimento" que não encontram na realidade.
Tal como dois e dois são... cinco, rock, eletrônica, jazz etc convivem harmoniosamente neste disco, sem, necessariamente, se fundirem ou se sobreporem na mesma canção. Yorke compôs melodias tão boas quanto as de “The Bends” que ora são acompanhadas apenas guitarras, baixo e bateria, com arranjos de rock - como já não faziam desde “Ok Computer” -, ora por batidas eletrônicas quase dançantes - como as de “Kid A” - ou pianos, capazes tanto de suavizar quanto de criar uma atmosfera densa e sombria - tal em “Amnesiac”. É como se estivéssemos diante de uma retrospectiva, só que com fatos novos.
Dessa viagem ao passado resultou em “Hail To The Thief”, um disco que pode trazer de volta algumas ovelhas desgarradas que se perderam com “Kid A”, com riffs cativantes de guitarras. Um disco que entusiasma fãs fiéis por verem a banda repensar sua sonoridade mais uma vez, indo buscar, desta vez, em seus próprios discos matéria-prima para experimentações. Um disco que mostra que o menino franzino e inadequado aos padrões, o “freak” da turma de colégio, não é mais um "Zé Ninguém".

>Duas músicas que salvam a hora: "Go To Sleep (Little Man Being Erased)" e "There There (The Boney King of Nowhere)"

>Para escutar: http://www.mediafire.com/?3fxaovry99z


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